
Premiada no 70º Salão de Artes Visuais da Bahia (2024) com a obra Calendário de Espera, Juliana Timbó é uma artista autodidata da madeira de demolição e criadora da Timbó Atelier. Natural de Hidrolândia, no sertão cearense, e atualmente vivendo em Salvador, ela faz de vigas, tábuas, degraus, corrimãos e outros fragmentos, um diálogo com o tempo e a memória. Esse (an)arquivo carrega suas vivências e memórias de infância, especialmente dos anos 1980 e 1990, vividos em Hidrolândia, no sertão brasileiro.
Sempre em diálogo com o território, em 2020 ela cria a Timbó atelier – um espaço de criação dedicado a peças e objetos produzidos a partir da madeira de reuso e demolição. Ao estudar a madeira em suas relações com o tempo, a memória e as estéticas populares, suas criações são mais do que objetos utilitários, tornam-se elementos de afeto. Tamboretes, bancos, esculturas e outros artefatos nascem como extensão de uma herança familiar e das vivências transmitidas por esse material que por si só carrega e guarda seu próprio tempo. É desse encontro entre madeira e memória que surgem os seus “objetos de companhia” — formas que dão voz poética a esse elemento preservando a sabedoria que ele carrega e guarda consigo, o tempo.
É na Rua Aiocá, nº 18 — no Morro da Sereia — que a Timbó (cipó conhecido por produzir uma substância usada pelos indígenas na pesca) se entrelaça com a memória, através dos saberes manuais e ancestrais, para se transformar em Madeira e Memória.
O ateliê fica no Morro da Sereia, na rua Aiocá – “AIOCÁ” vem do iorubá Àyòká, oriki feminino que significa “aquela que provoca alegria ao seu redor”, refere-se ao fundo do mar e sua vastidão, é um dos nomes de Iemanjá. É como os negros bantos chamavam o fundo do mar. Remete ao reino das terras misteriosas da felicidade e da liberdade, imagem das terras natais da África, saudades dos dias livres na floresta.